Ex-presidente acerta ao colocar a estatal no centro do debate nacional e explica a relação entre o preço da gasolina e o desmonte da empresa: “Compromisso tem de ser com o povo brasileiro”

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe que a Petrobrás tem papel central no desenvolvimento nacional. A empresa é estratégica para a soberania nacional e precisa ter compromisso com o povo brasileiro e não com os acionistas minoritários. Em entrevista concedida à Rede de Rádios Paraná, Lula defendeu a empresa e disse que não existe razão para o absurdo preço dos combustíveis no Brasil.

Lula explicou que a gasolina já passa de R$ 8 em alguns estados porque o presidente Jair Bolsonaro insiste na política de dolarização de preços na Petrobrás, uma empresa pública que deveria cuidar dos interesses nacionais. “Veja que coisa absurda: o preço do petróleo está internacionalizado. A gente está pagando gasolina e óleo diesel a preço em dólar”, lamentou. “Isso seria compreensível se o Brasil não fosse autossuficiente, se estivesse importando [gasolina e diesel] porque não tem petróleo. Mas o Brasil tem petróleo e é autossuficiente”.

Ele atacou diretamente o problema da manutenção da política de preços do petróleo com o mercado internacional. Segundo Lula, há dois motivos para a Petrobrás praticar preços em dólar para combustíveis produzidos no Brasil. O primeiro é garantir mais lucro aos acionistas da empresa, em grande parte gente rica de outros países. Vale lembrar que, no ano passado, a empresa pagou a aos acionistas minoritários nada menos que R$ 63,4 bilhões.

A outra razão é ajudar as empresas norte-americanas a vender sua gasolina para o Brasil. Se não fossem os preços em dólar da Petrobrás, o combustível importado seria mais caro, e ninguém, em sã consciência, o compraria no Brasil. Então o que o governo Bolsonaro faz? Aumenta o preço da gasolina brasileira para que a americana também tenha espaço. 

“Hoje, temos no Brasil mais de 400 empresas privadas importando gasolina dos Estados Unidos”, denunciou. “A responsabilidade de quem está dirigindo este país é entregar para a iniciativa privada, que vai comprar gasolina dos Estados Unidos e vender para a gente a preço de dólar. Os coitados dos motoristas de caminhão, por essas estradas, não conseguem ganhar dinheiro porque gastam tudo com óleo diesel”.

Lula falou a verdade. E, na quinta-feira, 4, o general Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobrás, confessou: “o abastecimento do mercado tem que ser uma oportunidade para todos” (leia-se, empresas estrangeiras). Luna também deixou claro que a empresa, sob sua gestão, não se preocupa com a população, ao dizer que “a Petrobrás tem responsabilidade social, mas não pode fazer política pública”.

Por que não pode se é uma empresa pública, criada pelo povo brasileiro e que pertence ao povo brasileiro? Durante os governos Lula e Dilma, a empresa não só manteve o preço dos combustíveis estáveis como também investiu no país, gerando novas tecnologias e milhões de empregos. Lula tem denunciado que uma das razões do impeachment fraudulento contra Dilma Rousseff foi a decisão dos governos do PT de usar a Petrobrás e o petróleo do pré-sal como ferramentas de desenvolvimento do Brasil.

“Essa é uma das razões por que deram o Golpe [de 2016] na Dilma. Como nós fizemos uma nova lei do petróleo, que garantia que o petróleo fosse do povo brasileiro, que garantia a criação de um fundo de desenvolvimento com o dinheiro do petróleo para a educação, a saúde e a ciência e tecnologia, e tinha uma empresa criada para administrar as riquezas do pré-sal, como é feito na Noruega, eles não se aquietaram até mudar”, disse Lula.

O fato é que, após o Golpe de 2016, toda a política relacionada ao petróleo mudou para favorecer os acionistas e produtores de combustível norte-americanos. Está é mais uma evidência de que todo o processo iniciado pela Operação Lava Jato para tirar Dilma e prender Lula atendia a interesses estrangeiros. As conversas divulgadas pelo site The Intercept, no se convencionou chamar de Vaza Jato, confirmam.

Autoridades americanas e europeias deram todo tipo de apoio aos procuradores de Curitiba e ao ex-juiz Sérgio Moro, que, após concluir o serviço sujo, acabou indo trabalhar em Washington para a empresa Alvarez & Marsal, onde ganhou, em apenas 10 meses, R$ 3,7 milhões. Um episódio, por sinal, que ainda precisa ser explicado e que levou o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) a pedir investigação à Procuradoria Geral da República (PGR).

Agora, de volta ao país como presidenciável, Moro é um dos que defendem a privatização definitiva da Petrobrás, o que representaria um duro golpe na soberania do país e o fim das chances de o Brasil utilizar a riqueza do pré-sal para se desenvolver e melhorar as condições de vida da população. • Agência PT

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