Críticos e pesquisadores escolhem meia dúzia de discos de 1972 que você deve ouvir e reouvir

Limitando a escolha para apenas três entres os discos lançados em 1972 como prediletos, a ideia não foi chegar a um ranking ranking definitivo, mas perguntar a quem pensa em música, trabalhando na universidade ou como DJ, escrevendo reportagens, críticas, roteiros  — quais os mais importantes, os absolutos. .

A dificuldade se traduziu em reclamações de todos os tipos: “Ai, mas só três?” Ao mesmo tempo, surgiram expressões afetivas sobre a relação que esses profissionais têm com a música e os artistas desse anos. “Vou falar sobre os discos que eu amo”, “os mais relevantes para mim”, “os que eu mais ouvi e ainda ouço”, “sofro por não poder incluir este ou aquele disco.”

A lista começa encabeçada por Acabou Chorare, aquele que parece representar a síntese de 1972. O Ben, do Jorge Ben, que produziu copiosamente nos anos nos 1970, ultrapassou três discos sempre citados, como os dos tropicalistas Caetano e Gil e  o álbum duplo e conceitual Clube da Esquina, os três empatados. “A Dança da Solidão”, de Paulinho da Viola, e “A Janela”, de Roberto Carlos receberam menções solitárias, mas convictas de Luciana Xavier de Oliveira e Jotabê Medeiros.

 

“Acabou Chorare”, Novos Baianos

“Uma banda cheia de feras criou um som tão próprio, misturando rock, samba, mas não exatamente como a geração anterior a eles. É um disco muito expressivo da música brasileira naquele período, é impressionante: as pessoas sabem cantar quase todas as músicas”. Kamille Viola

“Acabou Chorare é a grande utopia da música brasileira realizada”. Jotabê Medeiros

 

“Ben”, Jorge Ben

“Ben, o disco que tem ‘Taj Mahal’ e ‘Fio Maravilha’… É um dos melhores dele, só que nessa época todos são os melhores até o ‘África Brasil’”. Pedro Alexandre Sanches

“Tem ‘Moça” que para mim é uma das músicas mais lindas do Jorge.. Tem muitas odes à mulher negra, de uma maneira que não era feita na MPB mainstream. Por exemplo, “Que Nega é Essa?”, é muito especial por que ele estava ajudando construir um imaginário negro que era diferente dos estereótipos racistas que existiam aqui no Brasil e que ainda existem até hoje”. Kamille Viola

 

“Clube da Esquina”, de Milton Nascimento e Lô Borges

“Hoje em dia o meu favorito é ‘Clube da Esquina”, um disco coletivo, que lança de uma vez por todas o Clube da Esquina como movimento, o primeiro movimento pós-Tropicália, mas com características muito diferentes da Tropicália”. Pedro Alexandre Sanches

 

“Expresso 2222”, Gilberto Gil

“O Expresso 2222 é um absurdo”. André Maleronka

 

“Transa”, Caetano Veloso

“Eu choro com esse disco, acho ele de uma beleza extraordinária. O próprio Caetano não consegue entender, ele não coloca ele entre os melhores dele. Como um disco pode ser tão importante, tão tocante”. Jotabê Medeiros

 

“Jards”, Jards Macalé

“É um disco doidaço, ele tocando violão que nem fosse guitarra, acompanhado de uma banda excelente, com o maior balanço, mas assim um balanço que é torto. É um disco mesmo de  um artista metendo o louco”. André Maleronka • BA

`